Capital de giro: entenda como calcular e administrar

O capital de giro de uma empresa é um dos pilares de seu funcionamento, pois os recursos que o compõem asseguram a continuidade das atividades. E essa importância aumenta em momentos em que não há recebíveis previstos, quando esse capital tem de suportar variados custos sem que mais dinheiro entre nas disponibilidades para incrementá-lo.

Portanto, é fundamental para o gestor entender seu cálculo. Pois ele precisa saber se os recursos são suficientes ou se é necessário tomar alguma medida para não haver falta. E ainda mais essencial é administrá-lo adequadamente, para que a saúde financeira da empresa não seja prejudicada.

Então, acompanhe-nos e entenda agora como calcular o capital. E veja ainda cinco práticas para a boa administração dele.

Calculando os recursos

Para calcular o capital de giro deve-se utilizar as informações contábeis de ativo e passivo circulantes do período.

O ativo circulante refere-se aos direitos da empresa para o curto prazo. Por exemplo, as contas a receber e as disponibilidades — valores em caixa e contas bancárias. E trata-se também do que não será recebido, mas pode ser convertido em dinheiro rapidamente, como aplicações financeiras mantidas e estoque.

Já o passivo circulante diz respeito às obrigações do negócio também para o curto prazo, como folha de pagamentos, contas de fornecedores e impostos.

Depois da soma de ambos os valores, basta subtrair o passivo circulante do total dos ativos circulantes. Então, se tem o capital líquido. Veja um exemplo:

  • Caixa: R$ 6.500;
  • Conta bancária A: R$ 16.800;
  • Conta bancária B: R$ 9.400;
  • Estoque: R$ 7.300;
  • Contas a receber dentro do mês: R$ 13.900.

Após a soma, o ativo circulante para o período é R$ 53.900.

  • Salários a pagar: R$ 18.220;
  • Encargos, impostos e contribuições do mês: R$ 6.150;
  • Contas a pagar a fornecedores: R$ 15.200;
  • Despesa de imóvel, como aluguel, energia elétrica e internet: R$ 4.800;
  • Total do passivo circulante: R$ 44.370.

Por fim, subtraindo o segundo resultado do primeiro, o capital líquido para o mês é R$ 9.530.

Administrando o capital de giro

No exemplo acima, a empresa teve um bom resultado bruto de recursos próprios e também um capital líquido adequado. Porém, mesmo nesse cenário positivo a boa administração é vital para a manutenção das atividades e das finanças. Porque a má gestão pode mudar a realidade e deixar o negócio em situação complicada.

Conheça cinco ações para uma boa administração dos recursos.

Investir as sobras

Citando novamente o nosso exemplo de cálculo, as disponibilidades não contavam com excesso. Mas se houvesse mais dinheiro em caixa e contas bancárias, poderia haver sobras. Então, esses valores que continuassem parados nas contas iriam desvalorizar continuamente pela inflação.

Portanto, sempre que ocorrer de sobrar dinheiro nas disponibilidades depois de o cálculo revelar bom capital líquido, esses recursos devem ser investidos. Para isso, pode-se escolher aplicações financeiras seguras e simples de operar, como as de renda fixa. Assim, os valores ficam depositados e ao mesmo tempo rendem juros acima da inflação.

Adiantar recebíveis

O ideal é sempre fechar negócios com recebimento à vista, forma de pagamento que pode ser influenciada pela concessão de descontos. Porém, mesmo assim, nem sempre é possível receber todo o valor de uma venda ou prestação imediatamente.

Então, ao conceder prazos aos clientes, pode-se tentar adiantar esses recebimentos em duas semanas ou alguns dias concedendo descontos menores para quitações antecipadas. Por exemplo, oferecer entre 3% e 5% de abatimento para o pagamento adiantado de um boleto pode fazer o cliente quitá-lo dez dias antes do vencimento.

Essa prática pode gerar aumento do saldo positivo do fluxo de caixa em cada mês. E ainda contribui para reduzir a inadimplência — influenciando os clientes a serem bons pagadores.

Negociar com fornecedores

As mesmas ações direcionadas aos clientes servem também para os fornecedores.  O objetivo aqui é gastar menos dinheiro, deixando mais saldo disponível para o fluxo do empresário.

Porém, fazer as compras à vista pode exigir uma quantia maior de recursos utilizados de uma só vez. Por outro lado, fechar negócios assim também pode render bons descontos — além do fato de eliminar dívidas que seriam feitas para os próximos meses.

Caso as aquisições precisem ser feitas em prestações, é possível negociar parcelas que totalizem o mesmo valor que seria pago à vista. Ou ainda quitá-las antecipadamente para aproveitar abatimentos, se isso for oferecido.

De qualquer forma, sempre se pode agir para reduzir — ainda que minimamente — as saídas do caixa em cada mês. Ao fim de um ano, isso pode significar uma economia relevante.

Controlar o estoque

Ter uma boa gestão de materiais e mercadorias em estoque ajuda o gestor a administrar bem o capital pela previsibilidade das compras.

Por exemplo, se um histórico de saídas e entradas do inventário é bem feito e seu relatório é utilizado para prever os próximos pedidos a fornecedores, a empresa sabe que terá mais essa despesa antes de seu registro. Então, ao fazer a conta que mostramos para chegar ao capital líquido, consegue utilizar essa previsão para tornar o cálculo ainda mais exato e ter controle absoluto sobre os recursos.

Projetar o fluxo de caixa

O fluxo de caixa está intimamente ligado ao capital de giro, pois esse controle registra todas as entradas e saídas de dinheiro da empresa. E a sua projeção é responsável por mostrar ao gestor como estarão as finanças no longo prazo.

As projeções são importantes para a avaliação da necessidade de capital, permitindo ao negócio saber se haverá dinheiro ou não e se alguma atitude será necessária — como tomada de empréstimo — para financiar as atividades.

Então, por exemplo, caso o fluxo projetado do mês seguinte demonstre que o saldo será negativo, o gestor pode agir. Assim, há tempo para avaliar as despesas e tentar enxugá-las, adiantar recebíveis ou cobrar inadimplentes e pesquisar o crédito mais barato para injetar dinheiro no empreendimento.

Agora, você sabe como calcular o capital de giro líquido e administrar os recursos internos para manter a boa saúde financeira da empresa e suas operações. Mas ainda pode ler muito mais conteúdo como este para gerir os negócios com excelência. Então, assine a nossa newsletter e receba os posts diretamente em seu e-mail.