Como aplicar a gestão orientada para resultados na startup

Administrar uma empresa depende de práticas já bem conhecidas, como gerenciar pessoas, criar fluxos de trabalho e estabelecer objetivos. Todas essas ações fazem parte do que atualmente se chama de gestão tradicional, que em muitas startups já foi trocada pelo modelo de gestão orientada para resultados.

Em suma, esse conceito é como um aperfeiçoamento da forma mais comum de gerenciar, sem deixar de lado os pontos críticos desse formato e ao mesmo tempo atentando a outros quesitos fundamentais para a obtenção de resultados. Portanto, ele cria uma cultura de resultados que acaba sendo o norte de processos inteligentes e pensados mais estratégica do que operacionalmente.

Então, conheça melhor agora essa forma mais moderna de gestão de startups e saiba como aplicar a metodologia no seu negócio.

Como se diferencia gestão orientada para resultados de gestão tradicional

Enquanto a gestão tradicional tem foco nos processos do negócio e em seus fluxos de trabalho, o gerenciamento orientado pela cultura de resultados foca nas metas de cada setor e processo e da empresa.

Na prática, a gestão tradicional também conta com objetivos a serem alcançados, mas seu foco maior nos procedimentos direciona o empenho estratégico ao desenvolvimento dos planos de ação e operações. Então, a busca das metas é feita de forma indireta e baseada no nível estratégico do planejamento e na qualidade das práticas programadas para as rotinas. Ou seja, os gestores esperam que os objetivos sejam alcançados em face da qualidade dos processos criados e da correta realização das tarefas.

Por outro lado, a gestão orientada para resultados busca melhorar a performance nas várias etapas dos fluxos de  trabalho, otimizando os resultados delas e, por fim, chegando aos objetivos gerais. Os processos, assim como estratégias e planejamento, continuam sendo importantes e essenciais para a startup, mas a forma como eles são pensados, executados, monitorados e mensurados é diferente — o que detalharemos a seguir. Em todos os momentos, a condução é feita diretamente em busca dos resultados, diferentemente de como é na gestão tradicional.

Como aplicar a gestão orientada a resultados

Definir indicadores de desempenho

Aumento de vendas, retenção de clientes e redução de custos são conquistas importantes, mas são objetivos finais da startup e não indicadores de desempenho. Por isso, as atividades que permitem atingir esses objetivos devem contar com indicadores, medições próprias que auxiliam no alcance das metas globais.

Por exemplo, para aumentar as vendas é preciso encontrar o público de clientes ideais do negócio, gerar leads e efetivamente fechar as vendas. Então, para esses processos os indicadores podem ser de acessos ao site, leads gerados, oportunidades de negócio criadas e fechamentos de vendas em relação a visitantes, leads e oportunidades.

Já na parte operacional, para reter clientes e reduzir o churn de uma startup do modelo SaaS, por exemplo, alguns indicadores úteis seriam uptime, que mede o percentual de disponibilidade da ferramenta para os usuários — devendo ser 99% ou mais —, tempo de resposta a chamados e taxa de uso de funcionalidades.

O importante nesse momento é escolher bons indicadores, que serão úteis e realmente ajudarão no alcance dos resultados esperados. Para isso, cada indicador deve se encaixar em critérios como:

  • ser de fácil entendimento e útil em insights para novas ações;
  • ser relevante no apoio a tomadas de decisões;
  • gerar percepções sobre tarefas e processos;
  • estar de acordo com a maturidade da empresa e seu estágio de crescimento.

Também é importante na definição dos indicadores fugir das chamadas métricas de vaidade, que não ajudam realmente no progresso do negócio e apenas agradam os olhos do responsável pela mensuração. Essas métricas podem desviar a atenção de números realmente importantes, atrapalharem as mensurações e até mascararem problemas que a empresa tem.

Integrar equipes

Profissionais com diferentes atribuições e postos na hierarquia da empresa devem trocar percepções que têm em relação às atividades e informações com as quais lidam diariamente. Assim, podem qualificar seus trabalhos ajudando uns aos outros, complementando conhecimentos e habilidades.

Por exemplo, se um profissional da área de gerenciamento de sucesso dos clientes percebe aumento no churn por conta de dificuldades que os usuários têm na utilização de algumas funções, deve informar isso à equipe de produto. Consequentemente, ao mesmo tempo pode reduzir o tempo de resposta das chamadas, aumentar a taxa de uso das funcionalidades e reduzir o churn.

Outro ponto importante da integração é a troca de feedbacks, pois as estratégias do gestor podem parecer boas, mas na prática não funcionarem por conta de fatores que surgem no dia a dia. Neste caso, o feedback de um profissional que está na linha de frente de uma operação pode ser valiosa para evitar problemas e ineficiências porque ele lida com situações com as quais seu superior normalmente não lida.

Dar espaço para inovação e criatividade

Como gerenciar não se trata apenas de planejar e medir, mas também de dirigir e liderar, a direção e a liderança têm de dar espaço e apoio para os profissionais inovarem, serem criativos e desenvolverem projetos internos que vão beneficiar os demais e a startup toda.

Dessa linha de gerenciamento podem surgir grandes ideias e pequenas modificações, ambas com potencial de melhorarem processos e resultados de indicadores, o que consequentemente ajuda no alcance dos objetivos.

Muitas startups já fazem isso organizando ambientes de trabalho descontraídos e com organização flexível, dando liberdade para a formação de equipes feita exclusivamente pelos funcionários e avalizando projetos criados exclusivamente pela equipe.

Outra prática largamente utilizada, bastante voltada para empresas de tecnologia, é a promoção das chamadas hackatons: maratonas de desenvolvimento livre em horários externos à jornada de trabalho, a fim de conceber inovações e premiar os responsáveis pelos melhores projetos internos.

Organizar os processos

A gestão orientada para resultados, como explicamos anteriormente, não deixa de englobar os processos e os fluxos operacionais. Porém, eles precisam ser planejados tendo em vista essa filosofia de gestão.

Logo, não basta que uma boa estratégia seja desenvolvida e as melhores práticas sejam planejadas. Elas precisam, além disso, estarem adequadas a esse modelo de administração. Logo, alguns critérios aos quais devem atender são:

  • possibilitarem a medição de indicadores por meio de números e/ou sistemas;
  • estarem alinhados entre si, principalmente quando relacionam-se para o alcance de algum objetivo;
  • serem passíveis de revisão e reorganização;
  • terem a participação de todos os profissionais no planejamento.

Caso os processos já definidos não atendam a esses critérios, eles devem ser reorganizados para se adequarem à gestão modernizada.

Na organização dos processos é importante ter em mente também a automação deles. Toda atividade que puder ser automatizada para se tornar mais eficiente, reduzir custos, deixar uma etapa mais enxuta ou gerar dados com mais qualidade para os responsáveis deve ser incluída na automação. E não nos referimos com isso apenas a processos relacionados às atividades fim.

Por exemplo, a automação total do backoffice, com integração entre finanças e contabilidade, melhora as rotinas administrativas e proporciona os seguintes resultados:

  • prevenção contra erros humanos;
  • informação mais rápida e precisa para a gestão;
  • menos profissionais para conclusão de tarefas;
  • maior eficiência na conclusão de tarefas.

Compartilhar a filosofia da gestão para resultados

Todos os envolvidos na startup devem ter em mente qual é a filosofia do negócio e como é sua gestão baseada nela. Precisam entender a importância dos processos e de cada atividade para alcançar os objetivos, assim como compreenderem e acompanharem os indicadores de desempenho intermediários individuais.

Ainda dentro do compartilhamento da filosofia temos a criação de um ambiente com os princípios que já citamos, como abertura de espaço para inovação e criatividade, organização de feedbacks e melhoria na comunicação entre profissionais.

Com essa filosofia aplicada na prática e disseminada pela empresa cria-se o que é chamado de cultura de resultados, realidade que é apoiada nas seguintes ações:

  • estabelecimento de indicadores;
  • manutenção e armazenamento de série histórica de métricas;
  • compartilhamento dos resultados com toda a equipe;
  • uso das métricas para planejamento de ações junto à equipe;
  • aplicação de dados nas tomadas de decisões em todos os níveis e setores.

Vantagens da gestão orientada para resultados

Aumenta a motivação da equipe

Os principais fatores que aumentam a motivação dos profissionais na gestão orientada para resultados são a cultura de resultados permeada nele e o grande envolvimento de todos, com liberdade de criação, nos processos e nas métricas.

Profissionais que enxergam sua importância nos fluxos de trabalho, são desafiados e têm espaço para exteriorizarem todo o potencial, se motivam mais a trabalharem e crescerem, observando tanto as metas do negócio quanto das suas próprias carreiras dentro da startup.

Melhora a comunicação interna

Gestores que promovem liberdade e participação acabam inevitavelmente contando com equipes que se comunicam mais e melhor, pois formam subequipes, se envolvem na cultura de resultados e trocam dados e percepções com mais frequência e rapidez.

Um dos grandes problemas de empresas com gargalos internos, processos quebrados e atividades de baixa qualidade, é justamente a falta de comunicação eficaz, que não pode ficar toda por conta da tecnologia e dos relatórios que ela gera.

Aumenta a produtividade

Uma equipe mais motivada e que se comunica melhor certamente acaba sendo mais produtiva. E não só por isso, mas também porque a cultura de resultados, a liberdade de criações originais e a otimização das potencialidades dos profissionais no geral faz com que sejam mais produtivos em tudo o que se propõem a fazer, já que pessoas satisfeitas, com objetivos e engajadas com um negócio trabalham com mais qualidade.

Retém talentos mais facilmente

turnover pode afetar uma startup gerando custos adicionais em demissões, como em multas indenizatórias de Fundo de Garantia (FGTS), e fazendo com que a equipe nunca consiga entregar o melhor de seus conhecimentos e suas habilidades. Isso porque os desligamentos podem quebrar processos, interromper comunicação e sobrecarregar profissionais com muitas tarefas operacionais pela falta de pessoas, faltando tempo para que os trabalhadores pensem também em gerar mais valor e serem estratégicos.

A sensação de pertencimento, o envolvimento com o negócio e demais pontos positivos que esse modelo de gestão traz para o ambiente ajuda a empresa a reter seus melhores talentos, inclusive em situações nas quais poderiam obter vantagens financeiras optando por outro empregador. E quanto mais experiente no mercado e na startup em si é uma equipe, mais conhecimento de causa ela tem para planejar e colocar em prática ações inteligentes e eficazes.

Gera vantagem competitiva

As bases de qualquer setor são as pessoas e os seus processos. E podemos incluir produtos ou serviços quando passamos a nos referir também a empresas como um todo.

Como mostramos ao longo do texto com exemplos práticos e abordando as vantagens anteriores, o conceito de gestão foco do texto extrai o melhor das pessoas individual e conjuntamente e promove o planejamento de bons processos. Isso por si só já é uma vantagem competitiva porque eleva o patamar gerencial e operacional da startup em meio aos players concorrentes.

Depois, aliando boa equipe e bons processos a um produto ou serviço que tem valor para seu público-alvo, a vantagem competitiva se torna ainda maior e as chances de sucesso aumentam consideravelmente.

Aplicando a gestão orientada para resultados a startup tem mais chances de chegar ao sucesso, com boas estratégias e fluxos de trabalho mais inteligentes. Mas outras ações também ajudam o negócio a elevar seu potencial, como planejar a escalabilidade das rotinas e criar um produto mínimo viável adequado. Para explorar melhor o assunto, de extrema importância para seu negócio, leia o que fazer para atingir o sucesso com sua startup.