Plano de exportação de serviços: como montar o seu

Basicamente, o plano de exportação de serviços funciona como um plano de negócios para a internacionalização das atividades. Ele inclui todos os cuidados necessários para entrada e permanência no mercado do exterior e registra ações e estratégias voltadas a competitividade e crescimento além da fronteira.

Portando, é de extrema importação, não pode ser ignorado e é deve ser produzido, revisado e validado antes que qualquer negócio internacional ocorra.

Por isso, elencamos neste conteúdo os principais pontos de um plano seguro e eficiente. E se a sua empresa tem ambições internacionais, acompanhe-nos até o final.

Estudo tributário

É importante entender quais impostos um exportador deve pagar e como a legislação tributária funciona nesse caso para que não haja surpresas e oportunidades legais não sejam perdidas.

No caso de um plano de exportação de serviços, esse estudo dá aos responsáveis conhecimento de uma oportunidade a ser aproveitada: isenção de impostos. As exportadoras de serviços ficam isentas de dois dos impostos federais (Pis e Cofins) e do Imposto sobre Serviços (ISS).

Análise do entendimento de exportação pelo Fisco

A Receita Federal e as prefeituras das cidades têm seus entendimentos a respeito do que consideram exportação nas atividades de prestação de serviço. E na maioria das vezes esses órgãos interpretam as atividades da mesma forma e concedem as isenções citadas acima.

Porém, hipoteticamente, se a Receita considerar determinada operação uma exportação e a administração municipal não acompanhar o entendimento, o negócio fica isento de Pis e Cofins, mas não do ISS.

Logo, é importante saber como o Fisco entende em diferentes níveis as atividades da empresa para não cometer erros nas obrigações legais.

Análise de viabilidade econômica das atividades

Uma empresa cujas atividades são economicamente viáveis no Brasil pode não ser viável, ou pelo menos não sem mudanças estratégicas, para o mercado internacional. Isso porque adaptações voltadas a esses clientes, como traduções, contratações e atendimentos a leis de outros países, podem elevar custos recorrentes ou demandarem grandes investimentos pontuais.

Tendo a estimativa dos gastos adicionais, a precificação para o exterior e a demanda possível de importadores devem ser levadas em conta para o cálculo de viabilidade.

Avaliação de risco-país

Esse indicador serve de orientação a pessoas e empresas em relação ao grau de risco associado a negócios feitos em outros países. Ele leva em conta a estabilidade econômica, a política monetária e títulos públicos emitidos por diferentes nações, motivo pelo qual sempre é observado por estrangeiros que buscam investir em determinado local.

Por exemplo, um país com índice de alto risco pode ter dificuldades de honrar compromissos por conta de sua situação econômica ou de eventos que afetam sua economia. Isso pode significar que muitas empresas dele serão afetadas pelo mercado local instável, por falta de crédito e políticas falhas para geração de emprego e recuperação econômica, indicando que é arriscado fazer negócios nesse ambiente.

Não quer dizer que apenas países com risco baixo podem ser atendidos, mas faz sentido tomar cuidados adicionais com contratos, análise de viabilidade e outros critérios quando o ambiente apresenta mais perigos.

Análise competitiva

Essa análise funciona como um planejamento estratégico para a empresa competir com máxima capacidade e de modo assertivo com outros exportadores e players locais do país estrangeiro. É uma avaliação na qual os responsáveis tomam decisões e planejam a atuação, com foco na competição, observando fatores como:

  • principais concorrentes do país e exportadores do Brasil;
  • oportunidades existentes no mercado estrangeiro;
  • ameaças existentes na atuação além da fronteira;
  • pontos de atenção na exportação para determinado território;
  • existência ou não de parceiros estratégicos.

Adequação do modelo de negócio à exportação

Esse ponto do plano de exportação de serviços tem como objetivo deixar a operação pronta para a internacionalização, deixando-a preparada para legislação, cultura, necessidades e exigências do mercado do exterior.

Uma atividade que não seja altamente regulada no Brasil pode ser monitorada de forma muito próxima por órgãos de fiscalização em outros, inclusive havendo possibilidades de interferência estatal e auditorias periódicas. Nesse caso, a produção de relatórios de conformidade legal, algo não necessário na atuação interna, poderia ser uma ação atribuída especialmente ao trabalho exercido nas operações.

Adequação do backoffice

As rotinas administrativas geradas pelo atendimento a importadores se diferenciam daquelas voltadas à atuação interna. Na exportação existem obrigações legais como contrato de câmbio para faturamento e  emissão de dois tipos de faturas Invoice.

Sendo assim, o backoffice específico das vendas para o exterior precisa ser antecipadamente planejada e, sempre que possível, automatizada.

Definição dos canais de distribuição

Esses são os canais de marketing e vendas, que não necessariamente funcionarão se forem os mesmos utilizados no mercado nacional. Por isso, um estudo sobre tendências internacionais de marketing e comerciais, relatórios de pesquisas de consumo do outro país e demais informações precisam ser levantadas para criação de uma estratégia assertiva de marketing e vendas.

Por exemplo, no Brasil o Google é líder absoluto em pesquisas. Logo, é muito comum que as empresas concentrem nele seus anúncios e a busca por tráfego orgânico. Já nos Estados Unidos, segundo a Microsotf, o Bing alcança cerca de 33% das pesquisas, enquanto no Reino Unido e na França os números são de respectivamente 23% e 19%. Então, ignorar o Bing nesses mercados como um canal online de marketing seria como ignorar grande fatia de mercado.

Quanto às vendas, enquanto no Brasil uma solução pode ser difícil de ser vendida online, o comportamento de consumo em outro local possivelmente facilita esse tipo de venda automatizada.

Nesse momento também é importante revisar os componentes de marca, como logotipo, cores, gráficos e linguagem de comunicação, pois alguns deles podem não ter aceitação em outros países ou, ainda pior, carregarem significados negativos na visão cultural externa.

Preparação da equipe

Além de possíveis contratações para aumento de equipe e atendimento à maior demanda, os funcionários já contratados devem ser preparados para lidarem com o novo mercado.

Quem for atuar na exportação tem de estar a par de todos os pontos do plano e dominar pelo menos o inglês e possivelmente mais um idioma. Dependendo do mercado no qual o negócio atua e de suas soluções, podem ser necessário ainda que os profissionais obtenham conhecimento em fontes do mercado internacional, como certificações ou cursos preparatórios.

Observando com atenção todos esses pontos, seu plano de exportação de serviços tem alta probabilidade de ajudar em uma atuação internacional eficiente e segura. E enquanto cria seu plano, conheça leis, regras e impostos associados à exportação.

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