A ideia de se credenciar em convênio médico, operadora de plano de saúde ou outro tipo de rede de atendimento sempre parece positiva, com consequência em agenda cheia e mais honorários. Porém, dependendo da empresa escolhida, isso pode na verdade ser um problema e causar transtornos para o profissional e, se tiver, seu consultório ou clínica.
Alguns fatores devem ser estudados antes da tomada de decisão, avaliando aspectos do convênio e próprios, bem como a relação da empresa analisada com outros profissionais e o público.
Veja a seguir os principais critérios para solicitar um credenciamento ou desistir dele.
Público-alvo e comunicação
Se a operadora ou rede não atende, ou não tem foco, em pessoas que não se encaixam nas especialidades médicas, a credencial terá pouca ou nenhuma utilidade. Seria como um pediatra se conveniar a um plano de saúde que não oferece a pediatria ou, mesmo atendendo crianças, não aborda o serviço em suas ações de marketing e na divulgação de especialidades.
Então, o profissional tem de checar as atividades médicas da empresa à qual quer se conveniar, mas também analisar a forma como ela se dirige ao público em geral e a categorias de pacientes especificamente, observando os anúncios de serviços e quais são enfatizados.
Volume de conveniados e especialidades na região
Se houver muitos médicos, clínicas e consultórios coligados na mesma região pode ocorrer uma competição fora do razoável, gerando poucos atendimentos. Por isso, é importante buscar saber o número aproximado de médicos disponíveis nas redondezas pelo convênio desejado e as especialidades abrangidas por eles.
Dependendo do caso, mesmo uma grande densidade pode não ser problema. Por exemplo, um profissional ortopedista pretende se conveniar em uma operadora com muitos profissionais na sua localidade, mas poucos deles são ortopedistas. Assim, ele realiza o credenciamento porque terá demanda mesmo com alto volume de associados na região.
Histórico e reputação da empresa
O credenciamento em convênio médico com histórico público ruim e má reputação pode não ser positivo como o esperado para a agenda e ainda ser prejudicial para a imagem do profissional, por ligá-la à de uma empresa mal vista.
Pesquisar no Reclame Aqui se há muitos relatos negativos e problemas não resolvidos é uma boa prática, assim como verificar se há notícias acerca dessas reclamações frequentes e de problemas maiores, como processos judiciais enfrentados pelo convênio por culpa dele próprio.
Opiniões de outros médicos
Além de ser boa para os pacientes, a credenciadora deve ser desejável também para os profissionais, o que pode ser investigado, havendo possibilidade, com outros médicos que já foram ou são conveniados.
Eles podem contar suas experiências em relação a cumprimento de prazos de pagamentos, tratamento dado aos profissionais, valores das remunerações, estrutura de trabalho oferecida e demais fatores.
Preferências de trabalho e rotina
Neste ponto, o médico tem que fazer uma autoavaliação para entender se o trabalho junto a uma rede ou operadora se encaixa na sua forma de trabalhar e em sua rotina. Ou a autoavaliação pode ser feita para que o profissional planeje mudanças a fazer para aderir ao credenciamento desejado.
Por exemplo, manter os atendimentos dos pacientes passados pelo convênio junto à atenção dada àqueles adquiridos diretamente pelo profissional e/ou seu estabelecimento. Isso requer uma organização prévia e estudo de viabilidade.
Prazos e regras de recebimento
Verificar os prazos é crucial para a gestão financeira e, dependendo de quais sejam, desconsiderar a adesão a determinado convênio. Também não se pode esquecer de analisar as regras que a empresa tem para seus pagamentos.
O prazo de recebimento referente a uma consulta ou um procedimento pode ser de três dias úteis, mas com a regra de somente ser feito três dias úteis após o pagamento do atendimento por parte do paciente, com normas específicas para pagamentos parcelados. Logo, mesmo com os prazos, regras adicionais podem fazer os recebimentos demorarem mais que o previsto inicialmente.
Documentos necessários
A lista abrange documentos de pessoa física e jurídica:
- contrato social;
- CNPJ;
- alvará de funcionamento;
- alvará da licença sanitária, em caso de estabelecimento de saúde;
- comprovante de endereço;
- CRM;
- documento de identificação pessoal;
- certificados de especialização.
Outros documentos podem ser exigidos, de acordo com os processos internos de cada rede.
Reprovação do credenciamento
Havendo reprovação, o profissional pode buscar os motivos do resultado e, se possível, tomar medidas para revertê-lo.
Se a causa da reprovação for o fato de o médico já ter credenciamento em convênio médico concorrente, a alegação pode ser questionada, pois a reprovação por esse motivo é legalmente vedada.
Quando a negativa é por algo factual relacionado ao médico ou seu estabelecimento e de fácil correção, como falta de documento ou necessidade de obter nova certidão negativa com data válida, é mais fácil conseguir a aprovação posterior. Mas quando trata-se de critérios internos da empresa, mesmo que ilegítimos (como já ter outro convênio), é mais difícil conseguir a reversão de resultado, já que ela pode dar qualquer alegação legalmente aceita e baseada em regras próprias de funcionamento.
Você já tentou se associar anteriormente a um convênio, plano de saúde ou outro tipo de rede? Enfrentou problemas? Contribua com sua experiência nos comentários.